TI na era do Coronavírus

Antes de mais nada, em um texto relacionado ao Coronavírus, é importante ressaltar quem são os verdadeiros heróis dessa guerra que é contra um vírus invisível a olho nu, que são os profissionais da saúde. Principalmente os que estão na linha de frente, atendendo as pessoas infectadas em hospitais ou trabalhando para que menos pessoas venham a ser infectadas. Vocês são os verdadeiros heróis. Parabéns e obrigado.
 
  
Tendência
 
Nós não somos profissionais da saúde. Nós somos profissionais da área de tecnologia (muitas vezes denotado com a sigla TI, para Tecnologia da Informação), e trabalhamos diariamente em um mundo próprio, um mundo tecnológico, virtual, altamente produtivo, com altas capacidades de processamento e com muitas pessoas que são vistas como introvertidas (mas podem chamar também de nerds ou geeks).
 
Aqui na Visionnaire nós respiramos tecnologia 24 horas por dia, mas não apenas a tecnologia normal que a maioria dos usuários de informática já usam. Como somos uma empresa de TI que tem inovação em nosso DNA e visionário em nosso nome, todos os dias nos deparamos com novidades tecnológicas, experimentamos produtos lançados em primeira mão, testamos ferramentas e tecnologias que muitas vezes vão levar ainda mais de 1 ou 2 anos para chegar nas mãos de nossos clientes. Entendemos que isso não é mais do que nossa obrigação, pois temos que estar além do nosso tempo, na frente dos nossos clientes.
 
Desde o início de 2020 o Coronavírus (COVID-19) tem afetado a vida de quase todos os habitantes do planeta, chegando a um pico em países como Itália, Estados Unidos e França aproximadamente no momento que esse texto está sendo escrito (final de março e início de abril).
 
À medida em que as consequências do Coronavírus vão se intensificando, país por país, a sociedade muda sua forma de interagir, trabalhar, aprender e se divertir. E se adapta.
 
A Visionnaire trabalha com tendências, e já tínhamos uma prática de trabalho bem baseada em tecnologia e conceitos modernos. Já permitíamos o trabalho flexível e remoto (na verdade desde nossa concepção) mesmo estando em um país com tantas leis e formalidades que vêm contra o trabalho flexível e remoto, já usávamos ferramentas de videoconferência (podem ter certeza que já tínhamos testado quase todas, às vezes até me espanto de tantas opções que existem, mas é que tem um grupo meio 'viciado' nisso na Visionnaire), já tínhamos um processo de desenvolvimento de software acelerado, baseado em conceitos modernos de metodologias ágeis, já tínhamos migrado toda nossa base de código fonte para a nuvem há mais de 7 anos, já usávamos várias ferramentas de comunicação baseadas em tecnologia e mobilidade, já tínhamos prática de assinatura digital na nuvem, ferramentas de contatos, CRM, ERP na nuvem, marketing digital, site moderno com vídeo na Internet, infraestrutura como serviço (IaaS), uso de plataformas SaaS (Software as a Service), segurança, redundância, backups na nuvem, etc. etc. Ou seja, quase tudo que precisava para ter independência física, já tínhamos como prática (mas claro, sempre tem coisas para melhorar).
 
Não estou aqui para escrever que já estávamos 100% preparados para uma possível pandemia que viesse (acho que ninguém estava preparado), mas para minha surpresa positiva, e compreendendo os efeitos que hoje são considerados como 'devastadores' para muitos setores, no nosso caso não foi difícil migrar a empresa para essa nova realidade.
 
 
Empurrãozinho
  
No final de fevereiro e início de março deste ano, quando as consequências da pandemia começaram a chegar mais perto de todos nós no Brasil, já vínhamos observando que o 'Efeito Corona Vírus' iria provocar mudanças em todas as empresas.
 
O que antes era considerado como ‘tendência’ na sociedade (todos os fatores mencionados acima, como trabalho remoto, uso de tecnologia, videoconferência, sistemas na nuvem, etc.), passariam a contar com um 'empurrãozinho' dos efeitos do vírus.
  
Portanto, o que já era tendência (e que já trabalhamos todos os dias) passou a ter uma aderência mais rápida, justamente por que todos nós (e principalmente nossos clientes) foram dessa vez obrigados a se adaptar, mesmo com políticas na maioria das empresas que não permitiam se modernizar.
   
Esse 'empurrãozinho', do ponto de vista dos negócios, iria beneficiar principalmente as empresas baseadas em tecnologia e também, claro, as empresas de saúde (imagine então as empresas de saúde baseadas em tecnologia, as conhecidas como Health Techs, como a Univision que é uma sociedade da Unimed com a Visionnaire).
  
 
Empurrãozão
  
Mas a teoria do ‘empurrãozinho’ foi breve, não durou mais que um mês. Acho que a essa altura quase todas as pessoas de quase todos os países já observaram que o efeito do Coronavírus é avassalador, que está trazendo junto com a tragédia humanitária que por si só já seria grande, uma crise mundial sem precedentes.
  
Não vou querer ter aqui a pretensão de fazer previsões pessimistas, ou mesmo otimistas, com relação aos efeitos do Coronavírus, pois acredito que ninguém conseguiria fazer essas previsões nessa data, mas uma coisa é certa, o impacto é grande. Em muitos aspectos o efeito do Coronavírus e a crise mundial que vem junto, já está sendo considerada uma das maiores crises da nossa história como sociedade moderna.
  
Portanto, o que era um ‘empurrãozinho’ do ponto de vista de ‘empurrar’ as empresas e os negócios para um mundo tecnológico mais rapidamente, na prática, virou um ‘empurrãozão’, pois os efeitos estão se demonstrando maiores do que qualquer um imaginava, e a sociedade não vai ser a mesma depois do Coronavírus.
  
 
AC/DC
  
Tínhamos uma sociedade Antes do Corona, e teremos outra sociedade Depois do Corona. Como estamos nesse momento passando pela crise, não temos como saber quais efeitos ficarão mantidos na sociedade mesmo depois da crise, e quais efeitos deixarão de existir e voltarão a ser como antes.
  
Certamente iremos vencer! Como sociedade, como pessoas, como cientistas e tecnológicos que muitos somos, iremos vencer mais essa crise, mas ainda não sabemos, depois da crise, o que fica, e o que se vai.
  
Penso que o mundo DC (Depois do Corona) vai se parecer muito com o mundo que nós da área de tecnologia já vivíamos. Um mundo dinâmico, com contatos de forma remota, com sistemas e processos na nuvem, com modernismo e prosperidade. A tecnologia é a engrenagem da prosperidade, e parece que o Coronavírus veio para dizer: “Peraí, vocês já têm tudo que precisam para uma sociedade mais moderna, vão em frente, não se prendam a conceitos e políticas do passado!”.
  
Hoje, no meio da crise, temos que agradecer que vivemos em uma era tecnológica, temos que agradecer que vivemos na era do Vale do Silício como epicentro da inovação e o novo Renascimento da sociedade, temos que agradecer que temos tanta tecnologia e ferramentas que facilitam nossa vida, e bem nessa hora que precisamos, elas estavam ali. Lembrem, na época da epidemia da Influenza Espanhola há exatamente 100 anos, nossos avós, não tinham nada disso.
  
Sei que existe toda uma polêmica por trás do Facebook (e todas as outras empresas e ferramentas do grupo como o WhatsApp e o Instagram), sei que existe toda uma polêmica por trás do Mark Zuckerberg, mas temos que reconhecer nessa hora: “Sorte que existe o Zuckerberg”. Que sorte de todos nós que o Mark Zuckerberg não é um ditador irracional e mantém todas as suas ferramentas grátis, disponíveis no mundo todo. Muitos nem sabem, por exemplo, que o WhatsApp é do Facebook, e que é de uma empresa privada, muitos pensam que o WhatsApp é um serviço público para a sociedade e que vem do governo, como um serviço de água ou de iluminação pública, mas não é. Vejo atualmente o quanto o WhatsApp é usado no Brasil, é parte da cultura do brasileiro (em outros países o WhatsApp não pegou tanto quanto no Brasil) e hoje eu não conheço ninguém da minha rede de relacionamento que não tem WhatsApp e que não usa todo o dia, ninguém.
Quase todos pensam que o WhatsApp simplesmente ‘existe’ e que é fácil de funcionar, mas na verdade é um grande sistema, altamente complexo, com muito hardware, software, datacenters, links de comunicação e pessoas por trás. Tudo isso é altamente custoso, altamente complexo, mas é grátis, e está na mão de todo mundo. Que sorte nesse momento né!?
  
Peguei o WhatsApp como exemplo, mas são inúmeros os exemplos de produtos, serviços e empresas de tecnologia que, nessa hora, estão salvando vidas quase tanto quanto o setor de saúde (sempre ressaltando, como escrito no começo desse texto, que os verdadeiros heróis nesse momento são os profissionais da saúde). Que bom que já temos uma infraestrutura de comunicação existente, que bom que já temos os links de internet ficando cada vez mais rápidos, que bom que já temos os computadores e celulares quase que na mão de todo mundo, que bom que já temos os softwares para fazer tudo isso funcionar de forma que até mesmo o mais leigo consiga usar, que bom que já tínhamos uma vida virtual preexistente.
  
 
TI como Protagonista
  
A era da informação foi prevista, e vivemos atualmente na era da informação, nessa era a TI faz um papel fundamental. É pela tecnologia da informação que as pessoas se comunicam, interagem, conversam, aprendem e se divertem, é pela tecnologia que compramos, vendemos, produzimos e inovamos, é pela TI que os médicos, enfermeiros, clínicos, biólogos e farmacêuticos conseguem potencializar ainda mais os resultados de seus trabalhos. A tecnologia está aqui, nessa hora a informação vai continuar a ajudar, e os profissionais da área de TI continuam prontos para fazer a sua parte.
 
Profissionais da saúde, obrigado, vocês são os verdadeiros heróis! E quanto a nós, profissionais da TI, continuaremos aqui sem arrefecer. Contem conosco.
 
Sergio Mainetti Jr.
Co-fundador e diretor da Visionnaire